Vasco Granja

Se nos dias de hoje alguém viesse fazer o que fez Vasco Granja, teria de ser com erotismo e pornografia. A República Checa, e a Eslováquia, são fortes fornecedoras de porno-stars e modelos de fotografia erótica. Mas há muitos anos atrás, quando Vasco Granja nos falava na televisão, aquilo que da Checoslováquia nos chegava eram uns desenhos-animados muito deprimentes, secas valentes.

Vasco_Granja_na_ExponorMas apesar de secas, aquilo via-se. Eu via. Muitos viam. E hoje, como eu, recordam esses programas com saudade. De entre essas secas (umas mais que outras), houve um desenho-animado que me ficou sempre na memória e que eu adoraria rever: o de uma fila de homens que se acotovelavam. Quando o último da fila – à beira de um precipício – era acotovelado, caía do precipício e todos os homens davam um passo ao lado, recomeçando as cotoveladas. Pelo meio, havia um palhaço que fazia de tudo para evitar ser atirado pelo precipício. Ou por vezes até caía, mas voltava. Subia escadas que não existiam, ou ouvia-se um barulho de água a sair por um ralo que não se via, e o palhaço lá conseguia voltar à fila.

Há uma (ou mais) gerações que muito devem a Vasco Granja. Há uma (ou mais) gerações que não ficaram marcadas por animação asiática como o Dragonball, mas sim por uma animação que escondia muitas mensagens importantes numa ausência de côr, por vezes em desenhos pobres, argumentos tristes.

No dia em que morres Vasco, agradeço-te os momentos de televisão com que preencheste uma parte da minha infância.


2 comentários

  1. :) (Está muito bonito o que escreveste)

  2. Eram tempos muito inocentes! Pelo menos, por comparação com os actuais.
    Não conheço ninguém, da minha idade ou à volta dela, que seja indiferente ao nome Vasco Granja, nem que seja só para referir o aspecto mais secante dos desenhos-animados de Leste. Mas como poderiamos nós ter essa referência artística e cultural se não fosse ele?

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