Hei-de voltar a este assunto, eventualmente, com números e uma análise digna do nome, mas para já queria comentar algo com o que acordei esta manhã. Na TSF fala-se do suposto regresso dos incêndios com o tempo quente. A esse propósito, diz inclusivamente o seguinte:
A TSF procurou perceber se por causa do calor houve muitos incêndios durante este fim-de-semana, mas a Protecção Civil recusa-se a apresentar qualquer balanço, com o argumento de que ainda não estamos numa fase crítica.
A sério que isto me cansa. Os incêndios não acontecem por causa do calor. Acontecem porque, aqui neste rectângulo como em outros vários polígonos, o país tem aquilo que merece, em função dos cidadãos que tem. De outro modo: os portugueses têm aquilo que merecem, têm o que é o seu espelho enquanto cidadãos.
São necessários pelo menos 180 graus Celsius para que algumas espécies entrem em “combustão espontânea”. Nós temos agora 26 ou 27 graus Celsius. A floresta e o mato não ardem porque está calor. Ardem porque as pessoas fazem, nesses espaços, coisas que não devem. Obviamente, é muito diferente queimar sobrantes quando está a chuviscar ou quando está calor. Mas não é o calor per si o causador de incêndios. O agente desencadeante é, na esmagadora maioria dos casos portugueses, o Homem. O estado do tempo funciona apenas como agente catalizador. Só.
Tempo quente e incêndios não é uma fatalidade. Mais ainda, tempo quente = incêndios, é mentira.



