Uma das coisas mais fascinantes na escrita é poder colocar tanto, ou tão pouco, de nós naquilo que escrevemos. E chega a ser divertido, por vezes, ver como há quem pense estar a ver um espelho do autor nas palavras que escreveu. Faço, ocasionalmente, a mesma asneira quando leio algo. Mas depois lembro-me que embora a nossa vida, as nossas experiências, influenciem o que pensamos e, logo, o que escrevemos, é perfeitamente possível escrever coisas distantes daquilo que somos, e do que vivemos. É essa, apenas, uma das consequências de ter imaginação. E de fazer filmes acordado, imaginar cenas como se fossem pedaços de película meticulosamente montados. Podem ter coisas que vivemos, mais ou menos camufladas, e podem ter coisas que nunca vivemos ou não esperamos viver, mas gostamos de imaginar.
A escrita é um espaço de liberdade, mais ou menos condicionada por aquilo que aceitamos revelar em função de quanto do nosso nome colocamos nela. Sempre estamos a transmitir algo a alguém. Mas também há momentos solitários, em que mais do que transmitir a alguém estamos apenas a arrumar ideias fora de nós, porque ocupam espaço, não cabem todas cá dentro (não sem, pelo menos, fazer comichão).
Mas o que talvez seja realmente fascinante, para recuperar o adjectivo com que abri este texto, é quando conseguimos estabelecer ligações com outras pessoas. Há algo de profundamente mágico quando escrevemos qualquer coisa que outra pessoa lê e gosta, que lhe toca, que produz paixão ou mesmo amor (nas suas muy variadas formas), que cativa e faz querer ler mais. Algo que vai muito mais além da palavra falada. Se alguém ler uma coisa que escrevi e se deixar cativar, certamente não teria a mesma reacção se eu lhe lesse exactamente as mesmas palavras, mesmo que ao ouvido. A palavra escrita tem um poder imenso. Acredito que nada a ultrapassa.
Interessam-me as pontes que se criam.
Actualmente visitam este blog, todos os dias, cerca de 20 pessoas. A maioria, eu sei, vem cá por engano, porque procura conteúdos suculentos de sexo. O Google engana-as sem querer, porque escrevo sobre o tema aqui e ali, mas não forneço imagens. Outras talvez venham por amizade, ver o que anda este maluco a escrever. E depois há as desconhecidas, que seguem atrás de outra coisa qualquer que eu não sei o que é. E há ainda aquelas que decidiram tornar-se seguidoras do que escrevo, subscrevendo o feed RSS. Hoje são 17. É um número que sobe e desce. Ao sabor não sei muito bem do quê.
Por isso, hoje, queria convidar-vos a dizer-me o que é que encontram aqui que vos faz voltar. Qual foi a razão que criou uma ponte entre nós, prováveis desconhecidos? Podem deixar comentário a este post (clicar no balão no canto superior direito, para os mais desatentos) ou então enviar-me um e-mail para joao arroba geografiadascurvas.net.




Gosto da forma como escreves e expões as tuas ideias, sejam elas um espelho de ti num dado momento ou apenas fruto da imaginação e ciratividade.
Não questiono nem faço juizos de valor. Apenas gosto de ler.
Continua!
Beijinhos,
T
As pinturas de Foz Côa são na minha opinião um património a preservar
(private joke) , o que quer dizer que mesmo quando não concordo contigo gosto de te ler porque me fazes pensar. Sobre uma outra perspectiva que se não te lesse não pensaria nela.
E volto cá a ler-te porque sei que o humor estará presente para me divertir e aprenderei mais qualquer coisa sobre determinado assunto ou sobre o comportamento humano. Porque sabes escrever e porque gosto de estar com o gajo que transparece das tuas palavras.
Para começar o que me trás cá foi a mão da maria, ou melhor, a saia (já a larguei).
2º ponto – Não conhecia a Geografia das Curvas (uma falha minha)É para isso que servem as pontes, e por isso cá estou, e agradado!
3º ponto – É um tema muito interessante, pois quase nunca sabemos porque nos seguem, e é bom saber
4º ponto – Amanhã serão certamente muitos mais seguidores do que os 20 habituais
Pelo menos mais um, eu
Abraço João
Agradeço os vossos comentários. Ajudam a conhecer quem aqui passa, e acho isso importante.
@maria: sim, teremos sempre as gravuras de Foz Con…
Eu sou daquelas que tu criaste um espaço no meu coração, quase de irmão, e como já não trabalhamos juntos..sniff! e como já não te vejo quase todos os dias..sniff sniff! sinto que ao ler o que escreves, cada dia, fico mais pertinho de ti!
Obrigada por toda a tua partilha, por tudo o que és e por tudo o que já aprendi contigo! Bjs grandes
Susana, querida amiga,
És uma das pessoas com quem crio pontes largas através deste blog, e tenho muito gosto nisso, porque se tu achas que aprendeste algo comigo, mais terei eu aprendido contigo e com o exemplo de vida que me deste e continuas a dar.
Respeitinho, muito respeitinho por esta mulher, que é das que leva um M grande!