Um gajo simples tem comichões com rendas

Sou um gajo muito minimalista em algumas coisas. Noutras serei, porventura, assaz complicado. Mas entre aquelas em que sou muito minimalista, está a lingerie feminina. Há demasiadas coisas na lingerie que eu não entendo. Tenho ideia de já ter escrito aqui algures sobre isso, julgo que a propósito de um outdoor qualquer da Intimissimi.

Se há coisa que eu abomino na lingerie são os lacinhos, rendas e folhos. Irritam-me profundamente. Até mesmo na roupa interior de todos os dias, em algodão do mais simples que há, irrita-me a mania que os desenhadores das peças têm de enfiar os lacinhos à frente das cuecas e ao centro dos soutiens. Tornei-me um fundamentalista contra-lacinho. O lacinho é menineiro, e eu não quero meninas comigo, quero mulheres, gajas adultas!

Fui à pesca de alguns exemplos de coisas que eu não entendo – embora com diferentes graus de aborrecimento -, exercício que achei manifestamente mais simples do que encontrar as coisas de que eu efectivamente gosto. Por essa razão, para já, só abordarei o que dispenso. O que me agrada ficará para depois.

O primeiro exemplo é este, da Agent Provocateur. Mas que raio é isto? Para que me serve? Se me aparecer a minha mulher com duas tampas nos mamilos, dos quais se penduram umas franjas que ela pode fazer rodar com movimentos do corpo eu não sei se fuja ou se ria. Especialmente se vier também com as penas na mão. Com as minhas ricas alergias o mais provável é aquilo transformar-se rapidamente numa sessão de espirros que não só dificultaria imenso a prática do coito como poderia ainda aborrecê-la quando levasse com uma langonha no meio da testa.

Por outro lado, escapa-me totalmente a utilidade daquele quasi-soutien. Diria que aquela coisa – na verdade um pequeno colete de alças finas, porque de soutien não tem nada – serve mais para segurar o laçarote ao meio do que propriamente as mamas. Embora aquilo tenha um aro (estive a verificar isso no site da Agent Provocateur) não segura nada. Se as mamas forem pequenas o aro é enfeite. Se as mamas forem grandes, o aro nem se vê.

E o laçarote nas cuecas e naquela liga? Mas para quê? É para puxar com os dentes? Mas se é para ferrar o dente eu prefiro ferrá-lo em carninha do que em laçarotes. Para mim este tipo de coisa não tem nexo nenhum.

Em frente… é chegada a vez de um conjunto que apanhei no Victoria’s Secret e cuja imagem reproduzo abaixo.

Ora bem… mais uma vez pergunto, mas que raio é isto? Digamos então que estou relaxadamente instalado em leito de cópula (mas poderia ser no chão ou no meio do mato, que Carneiro não é exigente nessa matéria) e me surge a melhor de todas as gajas do mundo vestida com… isto. Florinhas no cabelo, folhinhos por todo o lado e os infames laçarotes. Se as florinhas forem de plástico serão apenas e só ridículas. Se forem naturais serão, uma vez mais, o caminho perfeito para a langonha no meio da testa e a sessão de espirros, como acima disse. Gaja que é gaja não precisa de folhinhos nem de lacinhos. Gaja que é gaja é discreta e não depende de nada mais senão de si própria e de uma lingerie simples para agradar. No meio de tanto folhinho e lacinho um tipo cansa-se.

Este último exemplo é, dos três, aquele que melhor tolero. Trouxe-o do site da Chantelle e não é demasiado chocante. Não tem lacinhos nem folhos, mas tem uma coisa que dispenso: renda. Quando dispo uma mulher (ou ela se despe para mim) não espero encontrar renda de bilros nem indecisas. Das duas uma: ou mostras o que queres mostrar e usas lingerie transparente, ou então não me tentas enganar com coisas que ora mostram ora escondem. Não há tempo para isso, eu sou um gajo prático! Gosto de erotismo e sensualidade, sim senhora, mas comigo funcionam duas coisas: ou é totalmente transparente, ou é totalmente opaco. Aceito coisas algo translúcidas, mas prefiro os dois extremos. É que quando é totalmente transparente já sei o que se me apresenta e vejo que ela vem com ideias marotas. Quando é totalmente opaco, não sei ao que vou e a imaginação funciona. Agora as rendas… nem sei que diga. Não sei se ela quer estafar-me os músculos pélvicos ou se quer apenas que eu aprenda costura. E as rendas, desconfio, devem fazer-me cócegas

Sou, portanto, um homem minimalista. Adepto das peças simples e discretas. Com três pequenos exemplos passei por coisas que dispenso, e nem foi preciso falar de “tigrezas” porque essas acho-as inqualificáveis. Para mim ou vens nua, ou vens simples. O resto que há por aí, deixa estar nas montras, don’t bother.


1 comentário

  1. Genial! Absolutamente brilhante…
    Parabéns!

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