Chega-me hoje à caixa de correio um e-mail de uma pessoa que assina como engenheira (logo, deduz-se, com educação superior) a solicitar ao serviço que coordeno um conjunto de informações estatísticas de que necessita para fazer o seu trabalho. Decide, esta senhora engenheira, rematar o seu e-mail com a bonita e delicada frase “Espero que sejam o mais breves possível na resposta“.
O desejo de rapidez da senhora engenheira é legítimo. É muito aborrecido querer trabalhar, ter alguém a pressionar-nos, e estarmos dependentes de terceiros que não têm as mesmas prioridades que nós e portanto podem, em algum momento, deixar-nos mais ou menos pendurados. Já passei por isso várias vezes, sei dar valor. Mas também sei que existe uma coisa chamada etiqueta, que há maneiras e maneiras de nos endereçarmos às pessoas, e que, como diz a minha mãe, as boas maneiras até na retrete ficam bem.
O final desse e-mail, com essa frase de tom ameaçador, faz-me temer pelo que pode acontecer-me se não formos tão breves na resposta como a senhora engenheira espera. No mais, e sendo a senhora uma engenheira, lamento que não tenha aproveitado para definir com precisão o que é que considera ser o mais breve possível. Um dia? Uma semana? Apenas alguns minutos? Correrei eu o risco de, no meu regresso de férias, ter uma senhora engenheira pronta a desfazer-me as rótulas ao virar da esquina?




Para mim, a questão pertinente é saber se a senhora engenheira é jeitosa ou se não.
Porque tenho um axioma que diz: A velocidade de execução de um dada tarefa é proporcional ao factor “jeitosa” da pessoa que efectuou o pedido.
É uma mal agradecida é o que ela é.
Como se trabalhassem para ela só pelos seus lindos olhos.