Poder-se-á dizer que aquilo que vou escrever a seguir é a prova de que os homens são sempre crianças. Não creio que chegue para provar tal coisa, mas poderá contribuir. Assim como ainda hoje gosto de papas, e se tivesse um metabolismo decente comeria Cerelac todos os dias, também continuo a gostar muito de LEGO, apesar de há já vários anos não lhe pegar.
Claro está que o LEGO que mais me interessa é o TECHNIC. Tive oportunidade, ainda em criança, de brincar com alguns modelos mais económicos que, ainda assim, terão representado um esforço para os meus pais, mas estou-lhes muito grato porque considero que os LEGO TECHNIC são muito bons para o desenvolvimento das crianças. Não penso, porém, que estes LEGO sejam exclusivamente uma coisa de crianças. Não vejo porque seria assim, e na verdade há muitos, muitos adultos que brincam com LEGO. Tanto quanto eu ainda gosto de pegar numa pá e fazer construções na areia. Porque há brincadeiras que estimulam o nosso cérebro e nos ajudam com abstracções, com a conceptualização de objectos e estruturas, com a resolução de problemas.
Esta conversa introdutória serve apenas e só para dizer que quero muito poder brincar com isto:
Só tem um defeito: é caro. Custa € 169,95 mas já só me faltam arranjar € 153,05 descontando os € 16,90 do novo lix..vro do Saramago que não vou comprar porque a minha mulher já trouxe um pacote de 12 rolos de papel de folha dupla e suave. Se alguns de vós quiserem juntar-se e oferecer-me isto no próximo Natal, embora me revolte bastante o espírito consumista da quadra, não me farei rogado. Mas só desta vez. Porque tem motores e controlo remoto, e é um brinquedo – na boa tradição LEGO TECHNIC – funcional, que com uma adaptação simples até deve dar para andar pelo chão a recolher migalhas. Pensem nisso!





João
Todos temos uma criança dentro de nós, apesar de alguns não quererem aceitar, porque se acham muito machos.
Eu própria como Cerelac de vez em quando, e também tive um Lego, que por sinal foi oferta de um Vendedor que visitava a loja do meu pai, porque nesse tempo os Legos custavam os olhos da cara, e os meus pais apesar de viverem “remediados”, não desperdiçavam dinheiro, portanto nada de comprar brinquedos caros.
Lembro-me que passava tardes a brincar com esse Lego fazendo casinhas, em que os moradores eram os bonequinhos que saiam nos gelados da Olá.
Que saudades desse tempo, em que havia respeito pelo nosso semelhante, em que nos ensinavam valores que hoje passam despercebidos para muitas criancinhas pedinchonas.
Quando se dizia lá em casa “não te vou comprar isso”, não havia lugar a birras nem a mais pedidos, eu já sabia que os meus pais não podiam, e respeitava.
Esse mesmo Lego passou para os meus filhos, e a esse juntamos mais uns quantos, que eles adoravam.
Este texto fez-me retroceder uns anitos, época em que fui bem feliz, porque nessa altura, a única preocupação eram as construções do meu Lego e os habitantes de plástico que eu punha lá dentro.
É tão bom ser criança!
Se pedires muito, talvez o pai Natal te traga um novinho.
Beijinhos
Manuela