É, é verdade que o título não é muito católico, e nem sequer dá a outra face. Lamento. Sou mesmo pecador e muito fraquinho. E, fraquinho como sou, sei que nunca tive especial vontade de ler Saramago. Em tempos, há muitos, muitos anos, tentei ler a Jangada de Pedra. Mas cansei-me. Não apreciei a escrita. Entretanto, e sem qualquer ligação com as polémicas geradas em torno d’O Evangelho Segundo Jesus Cristo das quais pouco me lembro e pouco acompanhei, foi crescendo em mim uma antipatia pela figura, que nunca soube explicar muito bem, e que viria a crescer muito em anos mais recentes.
Releva muito pouco, para mim, o Nobel desperdiçado com ele. Como se tem visto, aliás, há várias distinções Nobel que se estragam. Ora, no entretanto, o que me parece pateta – até mesmo profundamente ignorante – é dizer-se que a Bíblia é um manual de maus costumes e um catálogo do pior da natureza humana. Tem, este cidadão, todo o direito de não crer. É uma liberdade que lhe assiste. Não sei é que Bíblia é que ele leu. A que eu li – e sim, até mesmo o Antigo Testamento, por muito mais duro que seja -, não é um manual de maus costumes. É recheada de bons ensinamentos, que eu, fraquinho como comecei por dizer que sou, raramente sigo. É recheada de relatos da acção Divina, a mesma que eu penso poder identificar todos os dias quando percebo que estou acordado, a mesma que em várias situações senti ter-me salvo de perigos sérios, a mesma que me alivia e reconforta.
Mas, como sou fraquinho – repito-o várias vezes para que não restem dúvidas -, desculpa lá o mau jeito Saramago, se não te dou a outra face e se nunca te dei a ganhar dinheiro por nunca ter comprado as tuas páginas. E para ti, se calhar, ainda bem, porque ias detestar ter gente a limpar o cú à tua escrita, como eu seguramente o faria.




A direito à opinião é, e deve ser, extensivel a todos os cidadãos. O bom-senso, devendo revestir-se do mesmo, infelizmente não colhe da mesma forma. Parece-me absolutamente fantástico, João, que assumas não ter qualquer base para discorrer com a infelicidade com que discorres sobre a obra alheia, mas mesmo assim te pareça defensável faze-lo. Além de um exercício perfeitamente estéril, é de uma adolescência inacreditável. Penso que há formas melhores de procurares protagonismo nas páginas do público, ou em qualquer outras. Ser inteligente e educado talvez ajudasse. E ler, já agora. Mesmo que seja Saramago. Pelo lado certo do corpo, uma vez que pareces estar a tentar pelo lado errado. A ler e a pensar.
Tal com tu João , também eu sou pecador e fraquinho , nunca consegui dar ” a outra face” .Também eu recuso-me a comprar o livro pois o papel higiénico é bem mais legivel e menos insultuoso.Se Pedro parece aceitar algumas mentiras e manipulações de Saramago nas obras que escreve e em que toma uma religião como alvo da sua ira , outros poderão não aceitar .Se alguns aceitam que se escreva e comente sobre algum assunto sem saber do que se fala outros podem não concordar com esse modo de proceder. A meu ver Saramago ou quer protagonismo ás custas de uma religião ou é um ignorante letrado que nem se preocupou em saber um pouco mais sobre o que escreve.João , apesar de alguns não concordarem que divulgues a tua opinião no site do Publico , por minha parte nada me importo pois a minha educação democrata aceita que todos possam dar a sua opinião , mesmo Saramago e mesmo não sabendo do que fala.
Caro João,
Diz que a obra do Saramago é digna de se limpar o cú a ela. Mas, se nunca a leu, como sabe?
O leitor do seu texto só pode concluir que a Bíblia, que leu, lhe inspira os sentimentos (e atitudes) que revela no texto e que, então, não será concerteza uma leitura recomendável, e nesse caso o Saramago teria razão.
Em alternativa, a Bíblia que leu, até sugere boas obras, mas o João ignora-a revelando que, ao menos para sí, é uma leitura inútil.
O João diz que é pecador e muito fraquinho. Se é fraquinho não o posso confirmar porque não o conheço. Mas que é pecado dar um tão mau testemunho das Sagradas Escrituras ai isso é.
Um abraço fraterno.
Bom dia João,
Nunca consegui ler Saramago, tentei mas a sua escrita nunca me emocionou, bem pelo contário irritou-me e não passei do início do livro.
Fiquei cansada de ler porque tinha dificuldade na apreensão do texto, e muitas vezes voltava ao início, porque me perdia nas frases complexas que continha.
No entanto acho absurdo as afirmações desse senhor, que considero prepotente e arrogante, e para quem recebeu um prémio Nobel efectivamente deixa muito a desejar.
Temos que perceber que não somos donos da razão e que todos têem direito a manifestar a sua opinião, mesmo que seja discordante.
Gostei do texto que escreveste, não me choca a linguagem, e confesso que nunca li a Bíblia, por isso não posso julgar se é um bom livro ou não, mas acredito que certamente as suas páginas estão replectas de bons conselhos, e de textos que darão para pensar sobre a nossa relação e respeito para com os outros.
Boa semana de trabalho
Manuela