Entra o Ubuntu, sai o Windows

E para variar, eis que escrevo sobre algo diferente de mulheres. Falo-vos da minha tentativa de abandonar o Windows (embora, e para já, não totalmente) e passar a viver com um sistema operativo livre e modernaço: o Ubuntu.

O Linux é sedutor porque é estável, porque é seguro e porque é gratuito. Mas também é sedutor porque é mantido por muita gente que contribui para a evolução do software, o que faz com que tenha updates muito regulares e vá acompanhando o hardware, ainda que algum, mais exótico, possa não funcionar à primeira. O Ubuntu veio aproximar o Linux dos utilizadores menos aventureiros porque, na esmagadora maioria das máquinas, permite ter em poucos minutos um sistema operativo funcional e amigável, que não obriga ninguém a escrever comandos em modo de texto.

Eu não me importo de usar o modo de texto. Lembra-me os meus tempos de MSDOS, e de qualquer maneira já tenho algum hábito em montar o Ubuntu Server Edition que corro em máquinas virtuais sem interface gráfico, tudo gerido em texto e em remoto. A minha ideia, agora, era deixar de usar o Windows e virar-me para o Ubuntu, obrigar-me a enfrentar os desafios e a habituar-me a novas maneiras de fazer o que faço, porque para quase tudo existem alternativas livres que correm em Linux. Não posso abandonar a 100% o Windows, porque existe uma ou duas aplicações que só existem em Windows. Mas isso tem solução: Ubuntu + VirtualBox.

A minha máquina tem, actualmente, 6GB de RAM, e isso é relevante porque, com o Ubuntu a 64bits,  me vai permitir usar toda essa memória (as versões 32bit normalmente ficam-se pelos 3GB e pouco) e alocar 4GB para o Ubuntu, e sempre que precisar, 2GB para o Windows. Como? Virtualizando. Fazer dualboot é exasperante. Ter de fazer reboot para mudar de sistema operativo é cansativo. A melhor solução é correr o Windows dentro do Ubuntu, através do Virtualbox, que é um software de virtualização. Isto significa que para todos os efeitos, o Windows vai achar que está a correr de forma nativa numa máquina própria. O Virtualbox encarrega-se disso. Assim, quando por alguma razão me vir obrigado a correr o Windows, não preciso desligar a máquina e voltar a arrancá-la com outro sistema, basta-me lançar a máquina virtual do Windows e correr as aplicações. Posso, inclusivamente, partilhar ficheiros em tempo-real entre o Ubuntu e o Windows, o que de outro modo seria impossível. Com a opção seamless posso até ter as aplicações do Windows a correr integradas no desktop do Ubuntu, para máxima conveniência.

A velocidade não será igual, naturalmente, mas a diferença é negligenciável, e de qualquer modo é muito mais conveniente a virtualização do que a dança do reboot sempre que é preciso usar a aplicação A ou B. Não fosse isso, e posso afirmar que desistia do Windows. Não existe, verdadeiramente, nenhuma razão para usar o Windows quando temos o Ubuntu, a não ser o facto de algumas coisas muito específicas só existirem para esse sistema operativo.

O único quebra-cabeças que encontrei ao instalar o Ubuntu foi com a placa gráfica, mas isso deve-se sobretudo a duas coisas: à minha configuração exótica, porque não uso ATI nem NVidia, uso Matrox, e ao facto de ser inexperiente em instalações gráficas do Ubuntu. O Ubuntu funcionava, mas sem instalar o driver da Matrox, a performance gráfica era penalizada e não valia a pena abdicar da qualidade da placa (que por sinal foi bem cara na altura, mas fornece uma qualidade 2D da qual não abro mão, além de gerir outputs múltiplos como nenhuma). Ora, acontece que instalar o driver da Matrox não foi trivial, porque falhava na configuração do xorg.conf. Como não sou conhecedor do formato desse ficheiro, tive a sorte de encontrar um na net que funcionava, e então sim o instalador da Matrox conseguiu modificá-lo a contento. De outro modo, a instalação falhava.

Se tudo correr bem, como até aqui, penso que em breve a minha dependência do Windows será muito reduzida. Com o tempo, habituar-me-ei a usar software diferente. E, em algumas coisas, nem sequer noto a diferença, porque mesmo no Windows há já alguns anos que uso o Firefox e o Thunderbird, e essas duas pérolas do software estão intactas no Ubuntu, a funcionar plenamente com todas as minhas definições herdadas do Windows. Não perdi nada. Nem bookmarks, nem passwords, nem o meu e-mail. O Filezilla, que uso muito, também o tenho no Ubuntu. Para o Windows reservo apenas o gestor do SQLServer, o software SIG que utilizo e eventualmente o Paint Shop Pro até habituar-me ao GiMP. E, é certo, o Office 2007 por causa dos formatos novos, quando a isso for obrigado.

Estou entusiasmado e confiante de que vai correr bem. É preciso força-de-vontade para ultrapassar a inércia que nos faz escravos do Windows.


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