Como planador, passas por ali e olhas para todas as linhas, todas as palavras. Não sei bem o que buscas, que informação queres. Suspeito, mas não sei. Poderá ser um sinal de que temes perder, ou do que perdeste. Mas a novidade que procuras é simples de explicar. O que perdeste não deves senão a ti mesmo, às tuas incapacidades como homem. Às tuas limitações. Ao teu desinteresse, que te tornou cego, incapaz de ver o que se esconde sob máscara pesada. A novidade que não procuras mas posso oferecer-te é ainda mais esmagadora. Não podes, nunca, ter perdido algo que nunca foi verdadeiramente teu. A cada dia compras o seguinte. Negoceias. Vives a paz bolorenta permeada por atritos. Como planador, que passa por aqui e por ali, devias poder ver isso. Se não o viste já, não esperes vê-lo. Se não o viste já, é sinal de que não o tens em ti. É a novidade que procuras conjugada com a novidade que te dou. Dir-te-ia que a usasses em bom proveito. Dir-to-ia, se achasse que surtia efeito. Dir-to-ia se soubesse que funcionava. Não to digo.