Tudo o que quero é que te corra tudo bem. Sabes que há sempre um medo que se esconde, talvez agora menos, e talvez isso seja inconsciência, mas há sempre um receio, sim, uma amostra de preocupação e um sentimento de calma que se lhe opõe e procura tranquilizar, dizendo que tudo está bem, que vai correr bem, que estarás bem. Não mo deixas dizer-to. Não me dás como fazê-lo. Mas seriam essas as palavras. Que nada temas.

Quando o momento chegar eu nada saberei. De certo modo não o estranho embora faça comichão. Esse, como outros. Momentos que são importantes mas não os conheço, como não conheço tantas outras coisas. Um dia mais tarde algo mo fará saber. Nunca será um sinal directo, da fonte ao destino que sou eu, será uma jogada de bilhar à tabela, será um eco em caverna, porventura um deslize em rocha húmida que a maré deixa a descoberto ao descer. Tudo o que eu quero, como sempre foi, é que tudo te corra bem. E nos momentos de silêncio permito-me pensar que tu também, tu também queres que tudo me corra bem.

João Por baixo, de lado, por cima

O João é Geógrafo físico e produtor de metano. Para além da geografia e da escrita, interessa-se também por fotografia, cinema e bolos da pastelaria do Manuel Natário em Viana do Castelo. E por mulheres, também. Não necessariamente por esta ordem, e nem sempre em separado. É um palhaço, não raras vezes um idiota, e até mesmo um cabrão, segundo opiniões conhecidas.

2 Comments

    1. Não é necessariamente um pensamento sobre derrota, mas também se lhe aplica se se quiser. O essencial é as pessoas quererem que tudo corra bem, e que querendo-o, o queiram genuinamente, com a vontade de um beijo e um abraço, sem mágoa.

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