Frente a frente, anos passados de distância, as palavras inicialmente trémulas e um apelo. Estou cansada, querido. Não podes ser um cabrão? Custa-te assim tanto? Tens de ser sempre esse homem bom? Não quero que faças amor comigo, quero, hoje quero, que sejas um cabrão comigo. Não me abraces nem me beijes, que estou cansada de não sentir, quero que me atires contra a parede, à bruta, que me arranques a roupa do corpo, quero sentir o teu caralho rasgar-me a cona, quero sentir-me rebentar contigo, o corpo a bater na parede enquanto me fodes com ganas, quero afundar profundamente as minhas unhas na tua pele, quero que entres fundo em mim, quero sentir dor, faz-me doer, faz-me sentir, faz-me qualquer coisa porque eu estou cansada, entendes? Estou cansada.

O olhar tinha súplica. Ao dele, veio um assomo de saudade. Depressa o guardou, e não abriu a boca. Não lhe respondeu. Pegou-lhe no pulso, rodou-a de costas para ele e empurrou-a contra a parede. E doeu-lhe. Como ela queria.