Suponho – disse-lhe – que é sempre mais aborrecido quando a vida, quando isto, parece um queijo suíço. Só vejo os buracos, com a agravante de os buracos não serem visíveis, porque não está lá nada. Respondeu-lhe, com a mão no pulso dele, como que para o tranquilizar, que os buracos eram a sua forma, o queijo o seu mundo, e enquanto visse buracos, na verdade, via tudo, porque estava lá, movia-se neles, e os buracos do queijo eram só caminhos por onde passava para se esconder.

João Por baixo, de lado, por cima

O João é Geógrafo físico e produtor de metano. Para além da geografia e da escrita, interessa-se também por fotografia, cinema e bolos da pastelaria do Manuel Natário em Viana do Castelo. E por mulheres, também. Não necessariamente por esta ordem, e nem sempre em separado. É um palhaço, não raras vezes um idiota, e até mesmo um cabrão, segundo opiniões conhecidas.

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