Desço apressado a rua que outrora subimos vagarosos. Adiante seguiam todos os outros, e nós deixámo-nos ficar para trás, numa conversa doce de namoro, a tactear o outro, e tu agarrada ao meu braço, não porque me amasses, não porque me quisesses foder, não porque eu fosse tudo para ti, mas apenas porque as pedras da calçada estavam escorregadias como tu, da noite húmida, e não querias espalhar-te ao comprido, não mais do que já estávamos, ao comprido, tu e eu, a subir a rua devagar e devagarinho, sem vergonhas de quem nos olhava lá do alto e perguntava por nós. Desço apressado a rua que outrora subimos, e vejo do outro lado, no outro passeio, as nossas sombras, e por momentos quase consigo ouvir-nos falar, quase consigo ouvir-te rir, e sobretudo quase consigo ouvir-te dizer como já me fodias. Quase consigo ouvir-te dizer como me queres.