As escovas varrem o vidro apressadas a tirar a água que cai do céu com força como se fosse eu a vir-me em ti, e eu tenho as mãos no volante, e eu tenho as mãos em ti, e deslizo na estrada como se deslizasse na tua cona, como se o teu corpo fosse manteiga ao qual não me conseguisse segurar sem as unhas espetadas na minha carne, como anzol, como aperto de tesão, e o telefone vibra, o meu corpo vibra, como tu vibras, como tu tremes, e eu não olho, não posso, mas quero, mas olho, e vejo, vejo que queres fazer tudo comigo, e eu de mãos no volante, e eu de mãos nas tuas mamas onde escreves fode-me com todas as letras e murmúrios, e queres fazer tudo, queres engolir-me o caralho entre os lábios húmidos, queres que me venha a chamar pelo teu nome como sedento por água num deserto qualquer, e de mãos no volante, e eu de mãos nas tuas coxas, e eu de mãos nas tuas nádegas a puxá-las para mim, a entrar mais fundo, a enterrar-me no teu corpo como se ele fosse terra a engolir-me, a chuva a cair no vidro com violência, eu a deslizar, os corpos a ir um contra o outro, eu a puxar-te o cabelo num movimento de aqui e agora, de o teu corpo ser tão meu quanto o meu teu, os corpos a tremer, um frio a tomar conta do calor, de uma cona que pinga, de um caralho que correu como um rio, e eu não posso, não quero, não devo, mas olho, e vejo, fode-me, dizes, fode-me.