Ar livre, boas abertas mas um céu ameaçador, a chuva a poder precipitar-se sobre as nossas cabeças a todo o instante, o areal à nossa frente e o mar, o extenso mar que da esquerda à direita nos dominava a vista, e a conversa, a nossa conversa privada, e um momento em que os corpos estão mais perto, e ele não o sabia, mas crescia uma vontade e ao mesmo tempo uma hesitação. E só mais tarde, um tempo depois, lhe disse ela “Sabes?”, não sabia, “tive vontade de te beijar”. E porque não? E agora? E se essa vontade é a mesma que a minha? Foi então que se levantou resoluto, avançou para ela e segurando-a pelos braços, contra a parede mais próxima, a beijou sem dúvida nem hesitação, e foi retribuído no beijo e em tudo o que ele trazia consigo.