Ar livre, boas abertas mas um céu ameaçador, a chuva a poder precipitar-se sobre as nossas cabeças a todo o instante, o areal à nossa frente e o mar, o extenso mar que da esquerda à direita nos dominava a vista, e a conversa, a nossa conversa privada, e um momento em que os corpos estão mais perto, e ele não o sabia, mas crescia uma vontade e ao mesmo tempo uma hesitação. E só mais tarde, um tempo depois, lhe disse ela “Sabes?”, não sabia, “tive vontade de te beijar”. E porque não? E agora? E se essa vontade é a mesma que a minha? Foi então que se levantou resoluto, avançou para ela e segurando-a pelos braços, contra a parede mais próxima, a beijou sem dúvida nem hesitação, e foi retribuído no beijo e em tudo o que ele trazia consigo.

João Por baixo, de lado, por cima

O João é Geógrafo físico e produtor de metano. Para além da geografia e da escrita, interessa-se também por fotografia, cinema e bolos da pastelaria do Manuel Natário em Viana do Castelo. E por mulheres, também. Não necessariamente por esta ordem, e nem sempre em separado. É um palhaço, não raras vezes um idiota, e até mesmo um cabrão, segundo opiniões conhecidas.

5 Comments

    1. Pode ter sim. Mas não comigo que sou mediano nessa arte. Provoco abismos para os sentidos de outras maneiras.

  1. Resoluto e confiante. Assim é que é bom… sem mas nem meio mas. Confesso que tenho saudades de beijos desses…

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