A seguir.

Num dia cinzento os carros param um ao lado do outro, em sentidos contrários, como em faixas contrárias do trânsito, como se fossem para destinos opostos, embora isso fosse, em rigor, impossível. E de janelas alinhadas, ela lança “sabes do que preciso?”, e claro que sabia, “precisas que te foda, já, como se não existisse amanhã nem nenhum dia a seguir”, e pareceu surgir no seu olhar um brilho que não se via há muito, “e mais?”, e mais duas ou três coisas que havia de dizer-lhe. A seguir.

Posted in Crónicas curvas

2 thoughts on “A seguir.

    1. E o que interessa nem sempre é coisa de palavras, que as palavras, por muito que delas goste, têm o dom de, não raras vezes, complicar o que é simples.

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