No princípio eu estava lá. Segurava a mão, segurava objectos, ajudava, percorria longos metros e esperava, sentava-me à espera, e despejava as minhas palavras de conforto, porque as sentia, porque acreditava nelas. Reconfortava, apoiava, dizia que tudo correria bem. No final eu não estava lá. Não fisicamente. Apenas em espírito, como se do corpo se me destacasse, e talvez mais inquieto, mas sempre a confiar, a confiar que tudo estaria bem, que seria uma desordem cósmica qualquer se assim não fosse. A verdade é que sempre estive lá, nunca deixei de estar, mesmo quando me despistei e não me deixaram voltar.

João Por baixo, de lado, por cima

O João é Geógrafo físico e produtor de metano. Para além da geografia e da escrita, interessa-se também por fotografia, cinema e bolos da pastelaria do Manuel Natário em Viana do Castelo. E por mulheres, também. Não necessariamente por esta ordem, e nem sempre em separado. É um palhaço, não raras vezes um idiota, e até mesmo um cabrão, segundo opiniões conhecidas.

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