Escrever que a vida nos ensina, nos molda e nos muda, é um lugar tão comum que se lá formos encontramos toda a gente e mal cabemos, apertados. E ainda assim, porque é comum, tem a sua verdade. Num acaso, li uma referência a um pensamento meu num blog escrito por uma mulher, acerca de algo que escrevi há já bastante tempo e que, como tantas outras coisas que escrevi ao longo dos anos, foi, e é, uma generalização. As generalizações são fáceis de fazer, evitam-nos o aborrecimento dos casos particulares, que se tornam tantos e tão densos que a dado momento parecem engolir tudo quanto se julga normal, sujeito a um preconceito que alimenta a generalização.

Com o tempo que passa, há algumas coisas que escrevi nas quais já não me revejo inteiramente. A vida levou-me a ver ou os outros lados das histórias, ou a perceber os cinzentos que contrariam esta vontade de dizer que é ou não é. Porque às vezes consegue ser e não ser, e isso irrita-me tanto, mas tanto, nesta vontade férrea de ter tudo arrumado e controlado, definido. Regresso por isso, sem o ter pensado, às molduras que nos tolhem. São facilitadoras da generalização enganadora, e são elas mesmas um engano, porque também vamos descobrindo que se partem, e mesmo que não partam, ou fica por preencher, ou sobra algo de nós, que sempre existe e a moldura não prende, nem a generalização explica.