Porquê?

Naquele chuveiro existia uma grande vidraça, fosca, por onde a luz da rua podia entrar e a tua sombra sair, vagueando pelo resto do espaço que ocupáramos, mas o teu corpo estava ali muito presente, e a água quente batia na tua pele e fazia pequenos rios que escorriam entre vales e valeiros, e o teu cabelo molhado era fonte de gotas pesadas que se avolumavam até juntar aos rios e cair aos teus pés. De costas para mim aproveitavas as chicotadas da água quente, e eu admirava-te, mergulhava o meu olhar em ti enquanto oscilavas muito lentamente o corpo, com as mãos afastadas, apoiadas na vidraça ao nível da tua cabeça. Sobrepus as minhas mãos às tuas, como que te dizendo que não te movesses, e empurrei suavemente o teu corpo, o meu caralho duro a enfiar-se entre as tuas pernas, e tu como que a ronronar, a repetir o meu nome, uma vez, várias vezes, porque me fazes isto, porquê?, e a água quente a cair sobre nós, o meu beijo no teu pescoço, os teus lábios com sede e o tempo a passar. Havíamos de chegar a horas, noutro dia qualquer.

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