Não te entristeças. Vertes vida de ti assim. Não és mais triste nem mais feliz que qualquer outro à face desta poeira. És diferente. Tens o espaço que cabe entre as tuas mãos esticadas quando abres os braços, ou espaço do abraço que aperta quando os fechas. Não te sintas idiota. É demasiado prestígio que dás aos idiotas e desperdício teu. Tens marés diferentes, a tua realidade é a tua, e mais ninguém navega nela como tu. Não te sintas perdido. É imperdoável a quem sabe usar uma bússola e um mapa. Nunca estás perdido, estás só a seguir caminhos curvos, porque a terra também o é, e tu vives com os pés em cima dela, quer queiras, quer não. Não te digas um palerma, mesmo que o sejas, e que o sejas com classe. Porque há palermas bem mais palermas que tu, e são muitos, e na sua palermice não te chegam perto nem têm a tua arte. Não te queiras confundir nem dar-lhes o que não têm. Perderam e ninguém lhes disse, mas pensam que perdeste tu. Não te faças nem digas palhaço, porque embora o sejas, não precisas de nariz vermelho nem sapatos vários números acima do teu, muito menos de cabeleiras e roupas ridículas. És um palhaço com estilo. Isso, ninguém te tira. Não aceites menos que isso, não mereces menos que isso.

João Por baixo, de lado, por cima

O João é Geógrafo físico e produtor de metano. Para além da geografia e da escrita, interessa-se também por fotografia, cinema e bolos da pastelaria do Manuel Natário em Viana do Castelo. E por mulheres, também. Não necessariamente por esta ordem, e nem sempre em separado. É um palhaço, não raras vezes um idiota, e até mesmo um cabrão, segundo opiniões conhecidas.

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