No momento em que o telefone toca e o coração dispara, um dedo desajeitado desliza sobre o ecrã para atender e encostar o aparelho ao ouvido na expectativa do que dali viesse, e dali veio um sonoro fode-me. Como? Isso mesmo, fode-me. Não me obrigues a dizer mais, é muito complicado, leva muito tempo, e isto é a versão condensada. Fode-me por favor, e ele a pensar que isso nem é por favor, muito menos obrigação, e sim que te fodo, diz-me onde, diz-me quando, que te fodo agora, que te fodo já, e enquanto nos fodemos tu contas-me tudo com os teus olhos e eu com os meus, e com as mãos fazemos desenhos, e no meio de suspiros tudo será conhecido, é mais simples assim, talvez, e preciso tanto, precisas tanto, disto, de tudo isto, e se no fim disseres que não perdemos o jeito, se no fim disseres que somos animais, então o mundo está a girar à velocidade de sempre e no caos prevalece ainda alguma ordem.

João Por baixo, de lado, por cima

O João é Geógrafo físico e produtor de metano. Para além da geografia e da escrita, interessa-se também por fotografia, cinema e bolos da pastelaria do Manuel Natário em Viana do Castelo. E por mulheres, também. Não necessariamente por esta ordem, e nem sempre em separado. É um palhaço, não raras vezes um idiota, e até mesmo um cabrão, segundo opiniões conhecidas.

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