A tristeza apoderara-se dele, de olhar fixo numa estrutura próxima, visível da janela, que servia apenas para pendurar os olhos e não para efectivamente ver. Era só uma âncora, um substituto do infinito. Naquele momento pensou como seria se tivesse sido ele, como seria se tivesse sido ela. Que arrependimento, que forma de vazio teria tomado quem cá ficasse, que sensação de desespero ou angústia de irreversibilidade teria deitado por terra quem aqui ficasse enquanto o outro se dissolvia. A tristeza apoderara-se dela, pensando como seria se tivesse ido, ou se ele tivesse ido, que dor causaria a ausência verdadeira, aquela que não se finge nem provoca, aquela que é imposta e que arranca. De um lado e do outro, cada um à sua maneira, pensaram que não havia preço tão alto, que nenhum pecado, julgamento ou opinião podia obrigar a tal, e falaram-se para dizer olá, que bom ouvir-te de novo!

João Por baixo, de lado, por cima

O João é Geógrafo físico e produtor de metano. Para além da geografia e da escrita, interessa-se também por fotografia, cinema e bolos da pastelaria do Manuel Natário em Viana do Castelo. E por mulheres, também. Não necessariamente por esta ordem, e nem sempre em separado. É um palhaço, não raras vezes um idiota, e até mesmo um cabrão, segundo opiniões conhecidas.

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