Enquanto te deixavas elevar, naquelas escadas que rolam sem fim, pensavas que bom, que bom que era se ele estivesse aqui. Ocupada no teu desejo de me encontrar, encontraste-me por fim, no cimo daqueles degraus mecânicos, e eu com um sorriso largo, e tu feliz, e ao mesmo tempo o não estar e o não ver, sorrindo ambos, cúmplices, como se não nos conhecêssemos, como se fossemos estranhos num qualquer espaço público. E depois, um pouco mais tarde, na penumbra de um escaparate, no anonimato de um espaço de cheio de gente, vem cá e dá-me a mão, e os dedos que se entrelaçam, e um beijo trocado com sede tamanha, que te aperto, que me queres, e cada despedida era um ensaio, um cenário, porque sempre se voltava atrás para mais um beijo, e sempre se voltava atrás para mais mãos nas mãos, e a vontade do corpo, os olhos a rir à gargalhada contida, mas só contida por fora, que por dentro era calor e fogo, e enquanto me elevo naquelas escadas que rolam sem fim, sempre penso que bom, que bom que era se ela estivesse aqui.