O que era aquilo ao pé dos outros milhares? Milhares de horas. Uma hora e meia, e mais alguns minutos, era coisa pouca por comparação a tudo o resto que tinha sido, e arriscava ser. Por isso partiu, partiu antes com a convicção de seguir aquilo que o desejo ditava, a necessidade de um abraço como bálsamo, estender a mão para ser agarrado, e o sorriso aberto e pronto. Uma hora e meia. A paisagem ao menos era bonita, e estava anunciado. Aqui estou, aqui me faço atleta da espera, diria ele se lho perguntassem. Que viesse, implorava. A súplica seria discreta talvez, atenuada na sequência de palavras estranhas a Camões, a Gil Vicente, que ali não havia ilha dos amores nem barcas para lado algum, apenas a espera e o olhar inquieto lançado sobre quem passava, perguntando-se se seria, se não seria, se viria, se não viria. Nunca veio. Foi-se ele, aquele tempo de espera depois. Trilhando os mesmos passos que o haviam levado até ali, rolando os mesmos metros que o tinham feito chegar. Como chegou, partiu. De braços abertos. Sem raiva, conjecturando teorias, os porquês, as razões. Mas ainda e sempre de braços abertos, mesmo que tristes.