Quase passei por ti

Quase passei por ti. Há tanto tempo. É como se tivesse passado. Se olhar aos princípios da incerteza, à relatividade, a todas as teorias de todos os físicos, nascidos vivos e mortos, não sei se não terei mesmo passado. Para mim foi como se tivesse, para ti foi como se não. Não me viste, não me viram. Mas noutra dimensão quem sabe, no tempo que é elástico, quem pode dizer. Eu sei que quase passei por ti. Durou metade de um segundo. Fazem-se fotografias em menos tempo que isso. E eu tenho duas máquinas fotográficas na cara. Com lentes e tudo. Quase passei por ti, mas descobri o rodízio nos meus pés, dei forma aos graus em que se divide um círculo, rodei melhor e mais depressa que um Travolta. Apetecia-me ter continuado em frente. Mas não era momento para isso.

Posted in Crónicas curvas

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