O corredor é escuro, de paredes com textura irregular, húmidas, linhas salgadas de infiltração e a tinta em alguns pontos estalada. Ao longo do corredor existem algumas lâmpadas, fracas, gastas de horas perdidas, de um fluorescente já gasto, de lâmpadas cobertas de pó e autoestrada de rastejantes. O chão terá visto dias melhores, mas agora é uma colecção de ladrilhos soltos, de cantos partidos, e não se consegue fazer o caminho sem barulho, sem eco, sem partir mais qualquer coisa. A corrente de ar é quente, bafienta, desconfortável, e não apetece ali estar. Ao fundo, uma grade metálica, a porta do elevador cuja luz acrescenta ao pálido do espaço. O homem, de fato de inquestionável aprumo, sapatos novos, sem risco nem sujidade alguma, gravata de nó irrepreensível, botões de punho, barba aparada ao milímetro. Parado frente ao elevador. Corre a porta metálica, dá dois passos que o colocam no seu interior e volta o rosto à sua esquerda onde se situa um painel envelhecido. Com um botão. Não há botão de emergência, não existe aviso de excesso de carga, não há nada senão um único botão. Para descer.