Milhares passam por ali, é espaço de bulício, de pressa, de pessoas que correm para um lado qualquer, lados distintos dos nossos, e nós a passar, com tempo, com algum tempo ainda, e com a tesão nos corpos, e tu puxas-me pelo braço e dizes-me que é ali, é ali, mas que loucura, ali não podemos, não, dizes, ali podemos, vamos, e nós vamos, e entramos, e fechamos a porta atrás de nós, trancamos a porta, e empurro-te contra a parede mais próxima, colo a minha boca à tua, subo apressado a tua saia, enfio a minha mão na tua lingerie sem delicadezas e massajo vigorosamente a tua cona enquanto te beijo e as tuas mãos me agarram, me seguram, eu em pé e tu de pé, descomposta, descompostos, amparada por mim quando depressa te vens, e depois, depois num rearranjo da roupa e num ar aprumado, irrepreensível, abrimos a porta e caminhamos depressa, com rostos inocentes como que gente ao engano, e lá vamos, a esconder um segredo em sorrisos, misturados na mole de gente em pressa, de um lado para o outro, que a vida afinal é isto.

(e eu adoro fazer-te vir)