Estou cansado das coisas que vejo e das que não vejo. Estou cansado de redes sociais, do novelo de felicidades exacerbadas que parecem querer esfregar-nos na cara como que para nos mostrar o quão medíocres são as nossas vidas, ou do rio de lamentos de quem procura consolo de gente que não vê tantas vezes como queria ou não vê de todo, e eu não me faço superior a nada disso, tenho dado o meu contributo. Não me recordo de felicidades exacerbadas mas já devo ter contribuído para os lamentos e perplexidades. Já fui um ávido utilizador do Skype (e antes dele, do ICQ) até que quase o abandonei e hoje lhe dou uso residual (residual já é simpatia). Não tenho nada que me prenda ao Skype. Já fui ávido utilizador do Whatsapp, e agora está a um canto – se fosse um tamagochi estaria morto – porque não tenho uso para ele. Pelo menos, não regular. Tenho uma conta no Twitter mas aquilo nunca me apaixonou, tenho perfil no Google+, que honra lhe seja feita é menos dado a felicidades e lamentos, mas a paciência é limitada, e no momento dou por mim a pensar, a pensar muitas vezes e com muita força, em afastar-me do Facebook. Estou cansado do Facebook, e não o abandonei apenas porque ainda existe uma ou outra coisa útil que deixá-lo para trás me dificulta fazer. A internet, na sua componente social, tem cada vez menos interesse para mim. Quero saber cada vez menos. Não há nada para mim nessa coisa social. É um deserto. Tenho um telefone para quem me quiser ligar e ouvir a voz. Tenho um e-mail para receber a escrita de quem queira contactar-me. Tenho esta geografia para os poucos que me queiram ler a prosa. É provável que isso seja suficiente. E quando arranjar uma alternativa séria para as coisas que o Facebook ainda me permite, ganho coragem e desapareço. Para já, vou tendo uma timeline reduzida. Torno-me anti-social. Já assim fui visto tantas vezes, não pode ser muito difícil viver a fama, com o proveito.