Tu dirias que chover a potes é um understatement. A tempestade abateu-se sobre este local, a chuva era tão forte e tão grossa, que mais do que pingos de água pareciam jactos, era quase cortante, e os salpicos passavam bem acima dos nossos joelhos. O teu cabelo colado à cara, encharcado, a trovoada a destruir os céus negros, a tua roupa colada ao corpo, alguma dela já muito transparente, e lace, sempre lace. A chuva escorria-nos das mãos, dos braços estendidos ao longo do corpo. A respiração apressada, os nossos peitos a encher e a esvaziar com sofreguidão, da corrida, da pressa, e agora um metro a separar-nos, os olhos nos olhos, e a chuva a mergulhar-nos os pés, piores que enfiados numa banheira, que esta era água fria e não existiam toalhas turcas. Só o tecido frio. A pele fria, arrepiada, e um abraço que rebenta forte como os trovões que se ouviam há tanto, agarrados na rua, debaixo da chuva, e eu ao teu ouvido, suponho que isto faz de nós românticos….