Aproximámo-nos naquele espaço. Formais no tecido. Informais nas fantasias. Lancei a mão ao teu casaco, que ajudei a despir, desabotoei a tua blusa, mais devagar do que o desejo nos permitiria, e com a mestria de sempre, soltei o soutien nas tuas costas apenas com uma mão enquanto a outra o segurava para a seguir arremessar para longe, de modo a que nada nos fizesse tropeçar senão nós mesmos, um no outro, na expectativa de cairmos redondos no sofá mais próximo ou na cama mais larga. Ou mesmo o chão. O chão podia ser cama, podia ser sofá, qualquer coisa nos servia. Ao sangue que fervilha, pouco interessa onde. Ia atirar-me à tua saia para te admirar a nudez o mais depressa que pudesse, mas não me deixaste. Agarraste-me as mãos com determinação e disseste não. Olhaste-me firme nos olhos e disseste que hoje é diferente. Mandaste-me dar um passo atrás e sentar-me na beira da cama. Subiste a tua saia de modo a que pudesses abrir as pernas e sentar-te sobre mim. Mais tarde, viria a voar também para um canto, mas naquele momento percebi que por baixo da saia não havia nada, nada além daquele ponto onde as tuas coxas terminam e a magia acontece, o santuário do meu caralho, e disseste-me “não me tocas sem eu mandar. não me beijas sem eu pedir. não me lambes as mamas, não me tocas na cona, não fazes nada que eu não te diga”, e eu ali, a pulsar, a sentir a tua humidade na minha pele, e tu a acariciar-me a cara, a beijar-me o pescoço, as tuas mãos a passear as minhas costas, e enquanto isso a tua bacia ondulava e esfregavas o teu corpo sobre o meu, e eu a portar-me bem, a ser um bom menino, sim?, de mãos a muito custo contidas, a querer terminar a tortura, a querer tocar-te o corpo, devolver-te o prazer. Com a tua mão apontaste e ordenaste “toca-me, aqui”, e eu obedeci. Ajeitaste o corpo até ter o meu caralho perfeitamente ajustado à tua cona, até faltar um pequeno jeito, de um ou de outro, para o deixar entrar. Queres foder-me? Quero, quero muito. Queres entrar em mim? Muito, quero muito. E depois de te debruçares sobre mim, para que te lambesse os mamilos, deixaste-te finalmente deslizar sobre mim, entrei no teu corpo, feito em rocha viva, e tu ao meu ouvido só me falavas de como era bom foder-me, de como não havia nada assim, nada igual, e finalmente tinha autorização para te tocar, para dar uso às minhas mãos, e toquei-te tanto, como sabia, como podia, como queria. E seria capaz de jurar, a sério que seria, que o mundo perdera toda a importância, que se resumia a nós, a nosso mando, aos nossos pés. Sabia que me amavas. Não havia disfarce, nem vontade de disfarçar. Amo-te, amo-te tanto, disseste. Não mais que eu, nem menos, respondi, o teu tanto é o meu.

João Por baixo, de lado, por cima

O João é Geógrafo físico e produtor de metano. Para além da geografia e da escrita, interessa-se também por fotografia, cinema e bolos da pastelaria do Manuel Natário em Viana do Castelo. E por mulheres, também. Não necessariamente por esta ordem, e nem sempre em separado. É um palhaço, não raras vezes um idiota, e até mesmo um cabrão, segundo opiniões conhecidas.

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