Amarra-me

Apetece-me deitar-te sobre a cama. Desta vez, sobre a cama, uma cama qualquer. Apetece-me prender-te, amarrar-te os tornozelos, e deles à cama, de barriga para baixo e esse rabo, esse rabo para cima, para mim,

(e tu ias trincar o lábio)

e as tuas pernas abertas, numa submissão forçada por cordas mas consentida. Apetece-me prender o teu cabelo, para poder segurá-lo, puxá-lo enquanto falo ao teu ouvido,

(e tu a gemer)

e prender os teus pulsos, os teus braços acima da cabeça – e só não tos coloco atrás das costas, desta vez, porque me quero colar a ti – que seguro com a minha mão, para te limitar os movimentos, e ao deitar-me sobre ti, aproximo os meus lábios do teu ouvido e pergunto-te se confias em mim

(sim, confio em ti)

e pergunto o que queres que te faça, enquanto te seguro o cabelo com firmeza, naquele limiar que dispensa descrição

(quero sentir-te dentro de mim, entra, entra por favor)

e pergunto se me amas

(sou tão tua, amo-te tanto)

e eu entro em ti, sem esforço, sem resistência, e

(acelera, acelera)

e tu vens-te, uma vez, mais vezes, e eu venho-me em ti, dentro de ti,

(é tão isto)

e aqueço-te com o meu corpo, beijo-te o rosto, os lábios, o pescoço, e

(amarra-me de novo)

Posted in Crónicas curvas

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *