Confia

Senti que tentavas impedir-me de o fazer. De algum modo o teu jogo de mãos tentava bloquear o meu remate, tentava segurar-me, anda cá, dizias tu, vem cá, quero olhar-te, quero ver-te, e eu a fugir-te. A forçar o meu corpo para fora do teu campo visual, a fugir às tuas mãos, a fugir aos teus braços, a dizer-te sem te falar que confiasses em mim, que nada havia que temer, que não precisavas sentir-te mais exposta nem transformada em nada que não eras, que eras a mulher que estava comigo por dentro e por fora, e que agora era comigo, agora era eu quem ia provar-te os sabores, e rasguei-te as defesas, desci às tuas coxas e deixei o teu cheiro entrar no meu nariz primeiro e a minha boca provar-te a pele depois, e o mundo podia ter tremido que não teria notado, beijando-te, lambendo-te, sentindo um prazer imenso que jamais poderias entender, e eu a pedir-te que te libertasses, que sentisses, que me sentisses falar com o teu corpo através da minha boca, da minha língua, da tua cona. São só dimensões do mesmo sentir, entendes? São só os outros lados da figura, deste jogo nosso, não me prives, mesmo que não me entendas totalmente, a princípio. Mas com o tempo entenderás, aprenderás a apreciar, saberás o prazer que isso me dá, do quanto preciso disto, e faremos tudo, tudo e mais qualquer coisa, e irei a ti, olhar-te-ei, de rosto feliz, excitado, convicto de que não voltarás a pensar impedir-me, que me farás menos bloqueios, que amarás isto tanto quanto eu, ao ponto de suspirares para que to faça. Mas pouco. Só quando quiser provocar-te. Porque sabes que navego entre as tuas coxas a qualquer dia, a qualquer momento, com o mesmo gosto de sempre, sem pedires.

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