Olha que vivemos todos de tempo emprestado, avisou, todos, do tempo que se vai porque um dia todos morremos, todos, de uma maneira, ou de outra. Olha que o amor é emprestado, vive de tempo emprestado, todo ele, porque as pessoas que amamos morrem um dia, todas, de uma maneira ou de outra. Os filhos, vivemos os filhos com tempo emprestado porque os filhos vão-se, porque não são nossos, são deles, só deles, é a vida deles como a nossa é nossa, e o tempo é emprestado e apressado. Tudo se faz em tempo emprestado, porque de uma maneira ou de outra, o que está aqui, está aqui para morrer. De uma maneira, ou de outra. E o teu relógio não vai mover ponteiros mais depressa ou mais devagar, os segundos vão ser todos iguais, para ti, para todos, e o teu tempo é tão emprestado quanto o de qualquer outra pessoa, e só isso te pode fazer entender porque são as coisas como são, como podem ser, e quando podem ser. Vivemos todos de tempo emprestado e vamos morrer. De uma maneira, ou de outra.

João Por baixo, de lado, por cima

O João é Geógrafo físico e produtor de metano. Para além da geografia e da escrita, interessa-se também por fotografia, cinema e bolos da pastelaria do Manuel Natário em Viana do Castelo. E por mulheres, também. Não necessariamente por esta ordem, e nem sempre em separado. É um palhaço, não raras vezes um idiota, e até mesmo um cabrão, segundo opiniões conhecidas.

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