Eu gosto de sapatos de mulher. E se ficasse por aqui, com aquela frase, todo o género de coisas kinky seria pensado a meu respeito. Pensariam que eu gosto de calçar sapatos de mulher, ou pensariam que me excito só de olhar para eles, que me venho neles ou os uso como copo. Não. Tenham tento. A minha cabeça é extremamente pornográfica, o sexo é uma constante do meu raciocínio, mas mesmo eu sou selectivo nos pratos que como. Eu gosto de sapatos de mulher, sim, mas nos pés de uma mulher. Gosto de as ver bonitas, com sapatos bonitos, que as façam sentir-se confiantes e muito sexy, e neste tanto os saltos têm de ser altos. O contorno das pernas altera-se, a postura altera-se, e não é igual foder – contra a parede – uma mulher com saltos altos ou descalça. Também é por isto que acho as sabrinas uma coisa deprimente. Um sinal de desistência da vida, uma maneira de dizer que hoje não me sinto sexy, hoje não quero ser fodida à bruta contra esta janela, hoje não quero que me enfies o caralho bem fundo e me faças doer um bocadinho. É como os fatos de treino num homem. O princípio é quase o mesmo. Um homem de fato (ou pelo menos bem arranjado) está a dizer a uma mulher que vai fodê-la de um modo muito executivo, hoje fodo-te com classe, hoje agarro nesta gravata e amarro-te, tenho tanta confiança em mim que te vou fazer vir massajando-te a cona como dedos que deslizam num tecido caro, vou tocar-te com a mesma destreza com que coloco uns botões de punho. Um fato de treino não; diz que hoje fico sentado aqui a comer amendoins e a ver o canal de desporto. Eu gosto de sapatos de mulher, com salto alto. E não é pelas tais razões kinky. É pelo que faz por vós, pela confiança que vos dá, e pela tesão que daí resulta. E se me vier neles, é porque pingou. Ao menos que não sejam de camurça, que dá mais trabalho limpar.

 

Fotografia do autor – Todos os direitos reservados
João Por baixo, de lado, por cima

O João é Geógrafo físico e produtor de metano. Para além da geografia e da escrita, interessa-se também por fotografia, cinema e bolos da pastelaria do Manuel Natário em Viana do Castelo. E por mulheres, também. Não necessariamente por esta ordem, e nem sempre em separado. É um palhaço, não raras vezes um idiota, e até mesmo um cabrão, segundo opiniões conhecidas.

4 Comments

  1. Tens uma ideia errada acerca das pessoas, vulgo, “mulheres” que calçam sapatos rasos. Há muito boas meninas que fodem muito bem,- e mesmo muito bem- que calçam sapatos rasteiros, sapatilhas all-satar e vans rasgada! Digo-te mais, só uso calçado rasteiro e gosto de ser bem fodida, e de ser bem fodida, João!!!!! Estás errado. Desculpa.

    1. “Ninguém”, estou errado certamente em muitas coisas e não há pelo que pedir desculpa. Percebo o que me dizes, e eu não contesto a capacidade de bem foder de qualquer mulher, independentemente do que vista e calce. O que defendo ser diferente é o que nos transmitem, e uma mulher bem arranjada de salto alto bonito aguça-nos o apetite de uma forma que sapatos rasos não costumam fazer. Já senti muita ponta na presença de ténis de desporto. E agora? 🙂 É uma questão de contexto, e talvez também de idade. Por outro lado, quando se generaliza, perde-se sempre qualquer coisa. E eu generalizei.
      Bem-vinda!

  2. “Também é por isto que acho as sabrinas uma coisa deprimente. Um sinal de desistência da vida, uma maneira de dizer que hoje não me sinto sexy” achas mesmo isto? a sério? 😉

    1. Compreendo o conforto e até utilidade das sabrinas em algumas circunstâncias, mas sim Sofia, acho isso. Nada se compara a um bom par de saltos, lamento. 🙂

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