Filipinos

Comparar o corpo de uma mulher a um pacote de bolachas não será coisa que uma mulher aprecie a não ser que saiba muito bem o que estou a querer transmitir. Eu gosto muito de Filipinos – ou equivalentes. Gosto de bolachas, ponto. Mas os rigores da genética e alguma selectividade levam-me a não as consumir em barda, preferencialmente a não as comprar sequer, mas o facto é que gosto muito de Filipinos. E tenho um problema com esse tipo de bolacha: um pacote aberto é um pacote comido, na íntegra, se nada mo impedir, ou se a consciência fraquejar, pese embora um terrível sentimento de culpa logo a seguir. Ora, bem se vê, há corpos que são como um pacote de Filipinos. Quando se começa, não dá para parar. Apetece continuar, ir trincando, ir derretendo na boca, ir chupando, lambendo. Assim, bem se vê, comparar o corpo de uma mulher a um pacote de Filipinos não é insulto nem tão pouco sugestão de robustez. É uma manifestação apaixonada do quanto se gosta desse corpo, do prazer que dá descobri-lo, sentir-lhe a pele e o sabor. E com isto, aposto, da próxima vez que se pensar em bolachas, só pode haver um sorriso no rosto. Malandro, como convém.

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