O problema foi termos demorado demasiado tempo a negociar os termos do tratado. Isolados no meio de nenhures, em campo quase neutro, um calor imenso e tu a provocar-me, assim vestida de escuro, essa saia acima do joelho e as pernas que ora se aproximavam de mim, ora recuavam, e um acumulado de impasses, vem que te mimo, não vou que te parto, e nisto o tempo a passar, e as tuas mãos a sentir o meu caralho, e eu a tocar-te as costas e a puxar-te a mim, e tu que não, que não podia ser que o memorando não estava terminado, e o calor, tanto calor, a poeira, a brisa nas árvores, e nós a negociar, a negociar a tesão como se a tesão tivesse cláusulas para acertar, como se existissem artigos, pontos e alíneas para definir, e eu já te desapertava a roupa, e tu já te encostavas a mim, já se vencia a formalidade e por fim estávamos de novo colados, lanço as mãos às tuas coxas que fervem, toco a tua lingerie que parece uma esponja de tão molhada que estavas, beijo os teus mamilos, e fodes-me por fim, que sim, que parecemos uns animais, sim, racionais mas animais ainda assim, e tu fodes-me tão bem, e eu fodo-te tão bem que isto chega a ser mais que sublime, é para lá da foda, que a foda é coisa quase rude, boçal, quando comparada ao que fazemos, que está tanto para lá da foda. Redefinimos a foda, e quando fodemos deixamos de foder, damos o passo que ultrapassa a foda, e quando os nossos corpos se deslizam é como ver o que está para lá da morte, ou ver o que existe para lá do universo que expande, é ignorar o limite e ir além, ir longe. E o fim é sempre isto, é o teu corpo a vir-se como só tu te vens, e o meu a ficar molhado de ti, e um lamento de termos perdido tanto tempo a negociar o que não tem negociação, o lamento de não termos partido mais depressa para o ringue, porque te tinha bebido o sumo, porque me tinhas lambido o corpo, porque havia sempre algo mais para fazer, e nenhum contrato resolvia isso, só as nossas cabeças a pensar em simultâneo, processadores paralelos de foda de fazer corar puritanos. Foda-se, parecemos uns animais, tens razão. Mas então, dirias, não tens tu sempre razão?