O sexo é uma coisa séria. Ou, preferiria dizer, uma coisa para levar a sério. Que exige empenho, saber-fazer, que exige atenção, cuidado, a entrega a uma forma de “nós”, a nossa entrega a alguém. Sem isso, o sexo é porventura uma banalidade mecânica, de despejar tomates e invadir o corpo com a electricidade de um orgasmo, um pouco como beber água quando há sede, sabendo nós que a água, ou o copo, se deixam para lá depois da sede resolvida. O sexo, o bom sexo, deve ser diferente disso, ao bom sexo sempre se regressa, nunca se viram as costas. O bom sexo é água que jorra de nascente fresca. Mas se isto é assim, há algo que o sexo não precisa e não deve nunca ser: demasiado sério. Que sério é este? O sério de seráfico. De tão exageradamente praticado como um desporto de alta competição que as pessoas se esqueçam de se olhar nos olhos, dizer coisas, e rir a bandeiras despregadas enquanto o fazem. Porque não? Porque não podemos salpicar o sexo com piadas que fazem dois amantes rir-se enquanto os caralhos se afeiçoam às conas? Porque terão as pessoas de estar sempre caladas, sérias, ou senão caladas, apenas a foder com o linguajar do Cais do Sodré? Notem que nada tenho contra isto. Calem-se quando for de calar, concentrem-se em silêncio quando assim tiver de ser, e digam todas as caralhadas e demais impropérios que sintam querer dizer quando vos apetecer, que um bom impropério no sexo sabe a rebuçado, mas não sintam ter de ser sempre sérios. Não sintam ter de evitar uma piada. Uma expressão engraçada que faça a outra pessoa rir. Sexo também é riso. Sexo também é divertimento. Sexo também é virmo-nos e rebentarmo-nos a rir na cara um do outro. Qualquer que seja a razão. Porque estamos rotos, porque nos aconteceu qualquer coisa que podemos julgar embaraçosa, porque a incredulidade pode dar para tudo e desse tudo o riso é o melhor. Foder e rir, malta. Foder e rir. Muito. Só assim vale mesmo a pena.