Quando fiz renascer um doutoramento que estava moribundo, fi-lo com garra, fi-lo com o sentimento de urgência, de algo que já podia estar fechado, ultrapassado, e que agora era premente repor em marcha, tapar os buracos, consolidar tudo, embrulhar e entregar. E agora estou – parece-me – na recta final. A enxertar o que falta, a polir arestas, a dar finalmente corpo a um documento que galga degraus até se poder dizer final. Quero muito fechar isto. Não é para ser chamado doutor por extenso. Não é para ser mais que ninguém. É por mim. É para mim. É uma coisa que eu preciso fazer, que dá sentido, que me tira de um certo limbo e me devolve a um percurso que reconheço, onde me conheço. O meu doutoramento tem curvas. Tantas curvas. Centenas e centenas. Tanta coisa, tanto número, tantas dúvidas. O meu doutoramento devia ser sobre sexo, mas não é. É demasiado sério – como o sexo -, é demasiado científico – como o sexo pode ser mas não faço questão -, é desafiador – como o sexo. O meu doutoramento afinal é uma espécie de foda, é uma foda tântrica, que dura e dura e dura, mas agora tem de chegar ao fim, tem de colocar-se o último caracter, tem de fazer-se o caminho para o último Save As PDF, tem de defender-se, algures em 2015 porque já não poderá ser antes, e depois disso, quando merecer o doutor por extenso, apetece-me ser só o João, só o João simples, da geografia das curvas, das curvas do sexo, do corpo quente, sem mais.