Sente este momento. Define-se pela minha mão na tua coxa. Estás sentada de costas para mim, e eu encostado a ti, e beijo-te o pescoço, repouso uma mão na tua coxa esquerda, e o braço direito abraça-te e segura-te contra mim, e por vezes percorre os teus seios, por vezes beijo-te os ombros, ou mergulho no teu cabelo, e eu sei que já mordes os teus lábios, e eu sei que te vou deixar marcas de te apertar tanto e não querer largar. Sente este momento, é de janela aberta para o ar correr, para que as paredes não se impregnem deste cheiro de foda que invade o nosso espaço, este perfume que se cola, com que nos colamos, o teu sabor nos meus dedos que provo ao teu olhar, enquanto te surpreendes, te excitas, me chamas doido. Tanto te tenho dito que não existes, e ainda assim, não existindo mesmo, é tão grande o ar que movimentas, tão doce o teu cheiro que cativa, segura, excita. Sente este momento, é manhã vivida na cama, sem pressa. É tarde enrolada num sofá, sem interesse pela rua. É noite de corpos despidos colados. É a cabeça a pender, baixa, sempre que se olha e não se vê.