Disse-te que ia para a guerra, amor. Vou para a guerra, meu amor, e tu choravas, apertavas-me tanto as mãos, e agarravas-te tanto a mim, que não fosse, que me deixasse ficar junto a ti, que não voasse, por favor que não voasse, mas eu tinha de ir amor, e os teus cabelos banhavam-me o rosto, o cheiro da tua pele invadia-me, o cheiro da tua pele, sempre, e para mim era importante que me quisesses bem, que dissesses a toda a gente que aquele era um homem bom, que era um homem do teu coração, diferente na guerra. Eu não podia ir sem isso, não podia correr pelas trincheiras sem saber que os teus olhos se acendiam por mim, que defenderias a minha honra em qualquer sítio, em qualquer altura, como eu defendia a tua, que nunca deixarias que as palavras rudes se abatessem sobre mim, sobre nós. Fui para a guerra amor, com o cheiro da tua pele em mim, sempre o cheiro de ti, e o brilho dos teus olhos, o recorte do teu sorriso e as tuas mãos, abertas e doces para me segurar, para me receber. Fui para a guerra amor, e levei-te sempre comigo a cada momento.