Estas paredes escorrem desinteresse. Os corredores são vazios com gente indiferente, caras que não me dizem nada, ou eu a elas. Tudo isto é um espaço gasto, que se tornou cinzento, nefasto, pejado de coisas que nenhuma falta me fazem. É um degredo, uma espécie de cela, um lugar para passar o tempo dos dias, fechado entre paredes com uma janelinha quadrada no topo, pela qual insiste em entrar parca luz que me força a candeeiros mesmo em dias de Sol abrasador na rua, mesmo quando há dia lá fora, e aqui reina a noite. Este espaço deixou de ser o meu espaço há muito, não o reconheço, não me conhece. Talvez fosse hora de sair. Talvez fosse hora de partir. E deixar para trás este pedaço de betão e tijolo, esta amálgama de gente à qual sou indiferente, quando já nem os ecos de gargalhadas e tempos felizes se notam, de tão erodidos que ficaram pelos dias somados, os traços na parede de um prisioneiro, e a ausência do brilho, esse brilho que isto um dia teve, perdeu, e jamais recuperou. Talvez seja hora de apagar a luz e fechar a porta, e deixar esta cadeira para trás, porque já nada me diz. É só um edifício sem nada cá dentro.