As grandes cartas estavam espalhadas sobre as mesas. Esquadrias, coordenadas, curvas de nível, toda a geografia das curvas estava traçada naqueles papéis, e em folhas rabiscadas a lápis, com adições e subtracções, fracções, e ocasional parábola. De braços esticados sobre as mesas, olhavam, cada um, para os seus planos, os seus esquiços. A questão continuava sobre as mesas. Como dar seguimento a isto? Faziam estes raciocínios em perfeito e absoluto silêncio. Pesado. Depois, pousando as réguas e esquadros, guardando transferidores e compassos, sairam fechando as portas atrás de si. Algures no caminho cruzaram-se. Olharam-se. A princípio sérios, seráficos, isentos de emoção. Depois, a pouco e pouco, desenharam-se ligeiros sorrisos nos rostos, e avançaram um para o outro, sempre num perfeito silêncio, que deixara de ser pesado, era apenas silêncio. Abraçaram-se muito longamente. Vários minutos seguidos, abraçados, calados, a ouvirem-se respirar, a cheirarem-se um ao outro, a deslizar as mãos vagarosamente nas costas um do outro. Nem uma palavra. Só brisa e tacto. Por fim, ganhando alguma distância entre si, olharam-se de novo, estavam ambos humedecidos no olhar mas ainda com um sorriso desenhado, beijaram-se os lábios muito delicadamente, e recuaram, sem nada dizer, nada perguntar, nada afirmar. Tudo havia sido dito naquele abraço e selado num beijo. E voltaram à mesa, cada um deles, com as cartas espalhadas, as geografias das curvas com esboços e contas, o plano da guerra todo traçado.