Estava morto sempre que ela acabava com ele. Não sabia sequer de onde lhe vinham as forças para se arrastar de volta à vida com diminutivo, ao mundo mundano, onde as coisas assumem uma faceta de normalidade banal sem grande interesse nem sal, depois de se ter arrastado, fatigado, saindo de um corpo que era vigoroso, explosivo, capaz de envergonhar o mais glorioso cogumelo atómico. Aquela luta era animal e quase desigual apesar de parecerem, e serem mesmo, iguais entre si, pares perfeitos. Mas a ele, mais do que arrumar despojos, apetecia ficar e repousar, perguntar em que planeta andavam escondidos, a que horas era o próximo foguetão para a Terra, só para o perder, só para nem comprar bilhete. Ela matava-o sempre, mas mesmo desfeito ficava a sorrir porque, lá dentro, pensava que bem vistas as coisas, também ela morria, e não era pouco.