O que é que existe dentro de uma foda? Que coisas cabem nela, o que diz uma foda de nós? Há alguma coisa melhor que uma foda? Certamente existem coisas muito boas, há muitos tipos de prazer e não estou cego ao ponto de dizer que a foda ultrapassa, para toda a gente, toda e qualquer outra sensação. Temos momentos de felicidade e de pavor com inúmeras outras coisas que nos acontecem na vida. Mas a foda é uma constante que segura à vida. A foda é a minha constante, é uma coisa que me inunda, que escorre de mim e preenche todos os meus vazios. A foda é uma coisa sublime. Como é sublime esse prazer tão primário de se desfalecer exausto de satisfação, de se ser o culpado por ver mais alguém desfalecer assim, na exaustão de uma foda que rouba até a energia para dizer alguma coisa coerente. Ou então, às vezes, só rir, perceber-se que se está tão desfeito de uma foda que se ri, ri-se do incrível que isso é. A foda atravessa-me. Vejo e sinto foda em toda a parte, em quase tudo, e quando no corpo não desenho foda, alguma razão haverá, mas a cabeça não pára. Não sabe parar. Na minha cabeça até a dormir existe foda. A foda é global, imensa, detonadora, primária, sublime, detentora de todos os adjectivos e ainda assim nenhum deles à sua altura. A foda é. Equivale. Ser e Foder, às vezes Estar. Indissociáveis.