Vem. Viro-me para ti com o braço esticado, a mão na tua direcção, e repito, vem, vem comigo, vem comigo que vou levar-te. Vou levar-te onde nunca ninguém, jamais, te levou. E tu, que levo, para onde me levas, do que preciso, é longe? Levas-me para longe? Para onde nunca estive? Não, não é longe, vou levar-te até onde nunca ninguém te levou dentro de ti, vamos andar os dois aí dentro, vais comigo, eu ajudo, eu apoio-te, e vamos, vamos depressa puxar esses lençóis que te tapam, e vamos mergulhar, mergulhar aí dentro, limpar o pó desses livros, abrir as janelas, deixar entrar o sol, deixar-me entrar, e vais fechar-me dentro de ti com os teus braços, esses braços apertados em mim, vais escrever-me no coração, e viajamos assim, e vais ver que é diferente, vais ver que é novo, que há mais, que é mais, e nunca lá estiveste, são sítios que nunca viste, é ar que não conheces, vem, vem já.