Gosto de ti

Gosto de ti como quem gosta de cidades, com as suas ruas e becos, escadarias e sombras, lugares onde parar e ficar, com pontes e recantos. Gosto de ti como quem gosta do campo, com rios e prados, árvores de sombra e caminhos ondulantes. Gosto de ti como a brisa que agita cabelos e roupas leves, e transporta no ar uma palavra, um verbo preso. Gosto de ti como quem gosta do calor que contraria o frio do outro lado dos lençóis. Gosto de ti como o gel que escorre na pele suave debaixo de um chuveiro quente. Gosto de ti como quem se embrulha numa toalha turca e assim fica, na nudez que espera o toque. Gosto de ti como o dia e a noite, como a tesão que não demora, os risos felizes, os elevadores que sobem enquanto dançamos xadrez num metro quadrado num rápido xeque-mate. Gosto de ti como os cabelos que se acariciam num sofá, numa preguiça quente que deixa tudo lá fora a rodar sem nós. Gosto de ti como tu gostas de mim.

Posted in Crónicas curvas

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