Por minha conta

Estou por minha conta. Estamos sempre por nossa conta. Não é de espantar. Sempre tive dúvidas recentes sobre se a minha roda de bicicleta estava já a subir, ou ainda a descer. Havia momentos em que parecia subir, mas agora percebo que só pode estar a descer. Dentro de alguns dias é muito provável que esteja desempregado. Porque não aceito injustiças. Porque não aceito ser tratado, nesta fase da vida, como um recém-licenciado, acabado de sair dos anfiteatros, sem experiência, sem currículo. Porque não aceito a forma discricionária e ilegal como querem gerir assuntos que me dizem respeito. Porque não aceito que ignorem quem sou, o que fiz aqui dentro, o que posso dar. Porque recuso entregar o meu saber por meia dúzia de patacas. Em pé, de cabeça erguida, e digno. É assim que me quero ver. Haverá gente feliz se eu realmente sair daqui. Haverá gente feliz com o meu aparente infortúnio. Que fiquem. É bom para eles. Todos precisamos sentir-nos felizes, e sendo certo que eu não sei se quem ri por último ri melhor, o que é importante é rir. Se não for melhor, que seja rir. Se eu sair, abro o caminho para que aqueles que agora ficam felizes, saibam onde pisar quando forem eles a sair. A minha confiança de que tudo se resolva por bem, é a cada minuto que passa mais escassa. Talvez um volte-face me segure, talvez alguém me agarre, talvez os meus esforços surtam algum efeito. Mas até lá, a verdade é apenas uma. Estou por minha conta. Como sempre estive.

Posted in Crónicas curvas

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