Quatro da manhã, no limite da hora do lobo, uma pontada aguda no peito e acordar a ferver, com um calor imenso mas sem febre nenhuma, levantar-me. Chá. De cidreira, indisposição, duvidar de como estou, saber que não me estou a sentir bem, um aperto, um peso, encostar-me e o tecto. O tecto. De um lado, de outro, procurar uma maneira de estar melhor. E a pouco, e pouco, regresso ao sono, pensando em como não existe, em mim, nada que deseje mal. Não há como nos sentirmos bem, e tudo se resolve. Tenho uma lista que não é curta de gente que não aprecio, alguma gente que quero mesmo muito ver pelas costas, e longe, tão longe quanto se consiga, mas não lhes quero mal, não lhes desejo mal estar. Isso não existe em mim. A todos quero saúde, e bem-estar. Os nossos diferendos, resolvem-se com o intelecto, com a argumentação. Não se resolvem com padecimentos, com o desaparecimento físico, com a vitória por ausência do oponente. Quatro da manhã e eu sem saber como me sinto, só a certeza de que não é bem, e a pensar no valor de estar vivo. E de como desejo que tudo corra bem. De que a vida impere.

João Por baixo, de lado, por cima

O João é Geógrafo físico e produtor de metano. Para além da geografia e da escrita, interessa-se também por fotografia, cinema e bolos da pastelaria do Manuel Natário em Viana do Castelo. E por mulheres, também. Não necessariamente por esta ordem, e nem sempre em separado. É um palhaço, não raras vezes um idiota, e até mesmo um cabrão, segundo opiniões conhecidas.

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