Passei há dias por um poster (colocado num MUPI) a promover um recente filme português, baseado num livro homónimo de uma autora também portuguesa. Prendeu-me o pensamento a frase com que pretendem agarrar o público: “se não fosse pela cama, não precisávamos dos homens”. Esqueçamos por um momento a iluminação embutida, as canalizações, reparações eléctricas, mudanças de pneus, problemas informáticos, que há muita mulher capaz de fazer tudo isso, porventura até melhor que muitos homens. Esqueçamos até, em matéria de cama, as almofadas que se podem esfregar, os vibradores que se podem ligar, as mãos e dedos a que se pode dar uso diverso, derrotando dessa forma aquele que parece ser o argumento último para que uma mulher precise de um homem.

Esquecendo tudo isso, sei eu porque razão precisam as mulheres dos homens, não sendo elas auto-suficientes, não bastando às mulheres ter a companhia de outras mulheres. Porque somos nós que vos fazemos sentir bem. Porque somos nós que vos dizemos que vocês não existem, que são lindas, que é bom estar convosco, que o vosso cabelo cheira bem, que a vida é mais bela convosco. Porque somos nós que vos damos afecto, que vos abraçamos, que galgamos montes e serras para vos ver e amparar, porque damos significado aos vossos corpos trémulos quando o orgasmo sobrevém, porque vos tiramos da simples fêmea e vos elevamos a Mulher.

Isso, sei eu, fazemos nós. Porque entre vós, mais facilmente se lixam, envenenam, minam. Se o melhor amigo do homem é o cão, o melhor amigo da mulher é o homem. Não será pois por acaso que o silogismo que faz do homem cão acabe por fazer sentido. Tem dias.