As ruas da cidade. Lembras-te das ruas da cidade? Vazias. Tão diferentes das gentes apressadas e do ruído intenso, das buzinadelas, da gente montada em rodas e presa a volantes. As ruas da cidade, aquelas avenidas, despidas de gente, lembras-te delas? O tabuleiro. Lembras-te dele? Uma chávena, um sumo, algumas calorias para nos recompor, a televisão ligada e a manhã a fazer-se, depois do sono quase ausente, do sono que se afugentava ora a correr, com pressa, ora devagar, com suspiros. As ruas da cidade. As mãos juntas. A pressa de chegar depois da sala escura, as curvas do jardim, o recortado daqueles blocos de betão, a água que corria, e as mãos juntas. Poder ser encontrado. Sem medo. Poder rir. Sem medo. As ruas da cidade, os braços apertados, e um até logo, falamos daqui a pouco.